Durante a última metade do século dezesseis no Japão feudal, um periodo de rebelião e conflito entre os senhores da guerra rivais, um certo chunin do Dragão Negro Tong, conhecido como Takashi, foi comissionado para assassinar um DAIMYO (senhor da nobreza) numa pequena prefeitura ligeiramente ao norte de EDO (hoje Tóquio).
O agente viajou até o local em que morava esse oficial e avaliou a situacão. Esse nobre de baixo escalão não somente se deixou impressionar com sua própria importância a ponto de usar inúmeros enfeites de nobreza, como também cercou a si mesmo com samurais guarda costas vinte e quatro horas por dia. O quarto em que dormia era o que havia de mais espetacular em termos de estrutura, possuindo inúmeras seteiras claramente visíveis. Não havia nenhuma chance de envenenar sua comida visto que a segurança na cozinha era tão exigente quanto nos outros setores.
Além do que, o daimyo parecia não ter padrão para suas atividades. Ele nunca aparecia no mesmo lugar, e não havia lugar onde ele fosse mais que uma vez ao dia. Seu programa era errático e seus movimentos eram obscurecidos pela habilidade de seus guarda-costas.
A missão de Takashi exigia que o nobre fosse morto dentro de uma semana. Portanto ele não tinha tempo para reconhecimentos prolongados. Após três dias ele preparou um plano. O Ninja disfarço-se como um ronin e esperou pela mudança de guarda na casa de sake local.
Os soldados - mesmo os samurais - sendo o que são, não demorou muito para que um dos guarda-costas aparecesse nas proximidades da casa de sake. Dessas observações, Takashi notou que o sentinela tinha um comportamento turbulento e gostava de demonstrar proezas. Sem muita dificuldade o ninja o tinha envolvido em conversação e bebida, até que finalmente o guarda ficou tão e agitado que intoxicado foi incitado a lutar.
Visto ser uma competição amigável, os dois se enfrentaram no espaço existente no centro do estabelecimento. O combate foi singularmente desinteressante, com o guarda, Hideo, vencendo facilmente.
Takashi congratulou seu novo companheiro-de-armas e pagou outra rodada de saquê em comemoração. Mais tarde, no entardecer, os dois saíram ombro a ombro para a rua e desapareceram na escuridão. Hideo Começou a sentir uma estranha dor em sua fronte quando começaram a caminhar; Takashi simplesmente apressou a caminhada, Novamente, sua postura não era mais a de um ronin bêbado.
Finalmente eles chegaram próximo aos alojamentos do daimyo. Hideo sucumbiu à influência do vinho de arroz e ficou inconsciente. Takashi ocultou-o em uma viela conveniente, que tinha selecionado previamente como um posto de observação. Rapidamente o despiu de seu quimono, armas e bolsa. Em seguida debruçou-se sobre Hideo e pressionou o NIN CHU TSUBO, um ponto fatal localizado a um terco da distância abaixo do philtrum, da base do nariz à borda do lábio superior. Ele manteve a ponta de seu dedo indicador contra esse ponto, com uma pressão firme e direta por dez segundos e então gradualmente relaxou e repetiu por três vezes (este ponto é bem conhecido em acupuntura para o tratamento de epilepsia). Esfregou os pulsos e o pescoço do guarda inconsciente fazendo com que acordasse.
Quando se certificou que Hideo estava lúcido o suficiente para poder compreender suas ações, Takashi deu-lhe uns tapas no rosto e sorriu levemente. Erguendo-se e dando as costas ao guarda, começou a recolher as coisas dele como se fosse partir.
Apesar de estar grogue, Hideo estava levemente consciente de estar sendo roubado. Ele se ergueria e mataria esse imbecil que se atrevia a abusar de um guarda-costas do daimyo! Mas suas pernas e braços não aceitaramo comando. De fato, quanto mais ele tentava se mover, menos reação conseguia. Gotas de suor porejaram nas sobrancelhas de Hideo que sempre fora tão orgulhoso de sua força física. Ele não conseguia mover nem um dedo!
Seus olhos eram as únicas coisas que podia usar, e com eles viu o ronin roubar-lhe suas duas espadas e seu quimono. O fato de estar nu somente intensificava seu senso de invulnerabilidade. Mas seu espírito guerreiro fazia com que sentisse raiva, odiando estar sendo enganado. Sua mente rugia de ódio mas sua voz era apenas um balbuciar. Uma vez mais ele gritou e uma vez mais somente uma sombra de sua voz foi emitida.
Takashi se voltou ainda sorrindo e olhou dentro dos olhos de Hideo. Ele viu o ódio e a frustração, tanto quanto o desamparo.
"Então, Mestre Guarda-Costas, você está consciente! Bom! Sua carteira é leve, meu amigo. Não importa, está muito boa para Takashi o ladrão." Sorriu novamente.
"Vejo que você se espanta de não conseguir se mover, meu amigo. Esse é um truque que eu aprendi de um Ninja. Enquanto nós lutamos eu pressionei um ponto em sua nuca. Depois de um tempo, esse golpe torna a vítima paralisada. De início apenas os músculos não podem ser usados, mas em três dias, O coração irá cessar de bater e você irá morrer. Certamente você ficará louco muito antes disso." O ninja sorriu para o sentinela paralisado e ergueu-se como se fosse partir.
"Não...", susurrou o outrora poderoso Hideo.
"Não, você disse?", replicou Takashi, ajoelhando-se uma vez mais sobre sua vítima. "Não? E por que não? O que você possui, Mestre Guarda-Costas, que fará com que sua vida valha mais para mim do que Sua magra bolsa?"
Não houve resposta.
"Vamos lá, se você não tem nenhum tesouro, será que seu senhor não tem? Certamente ele não se incomodaria de contribuir um pouco em troca da vida de seu guarda pessoal!"
Hideo considerou isso por um momento. Seus olhos se moveram, lambeu os lábios. Eles estavam secos a despeito da transpiração em seu rosto que dava um efeito estressante à cena. "Ser deixado aqui nu', pensou Hideo, "paralisado, para morrer em três dias, vítima de um simples ladrão! Que vergonha!"
Takashi lançou um olhar de desprezo a Hideo, e se voltou como se fosse embora.
"Espere", balbuciouo sentinela.
O ninja esperou que ele chamasse mais duas vezes antes de voltar. A cada vez a voz de Hideo se tornava mais aflita e plangente.
"Você tem a cura?", perguntou Hideo.
"Eu posso inverter o efeito se eu quiser", respondeu Takashi. "O que você oferece?"
"No quarto de meu senhor... uma pequena jóia... está dentro do shoji em seu quarto... no lado direito."
"Ha! Você pensa que sou bobo? A casa está rodeada de guardas. Seu senhor nunca está sozinho. Como poderei entrar em seu quarto?"
"Apenas numa determinada hora", sussurrou Hideo, "quando meu
senhor está com sua amante - uma garota da vila. Ela é trazida para ele todas as noites... na Hora do Cão (de 23 a 1h)..."
"Como?"
"Ela é escoltada pelo sentinela da ponte principal. Quando o daimyo a receber em seu quarto privado, você estará só com a jóia... até que ela seja levada embora!"
Takashi tinha visto a garota se aproximar da ponte nos fins de tarde anteriores. Ela tinha a aparência de uma auxiliar de cozinha, apesar dele ter notado que era muito atraente. Ele também tinha percebi do que o guarda da ponte principal era sempre substituído pouco antes dela ser conduzida para dentro. Decidiu tentar um plano desesperado.
"Você agiu certo, Mestre Guarda-Costas. E bom que tudo seja exatamente como você descreveu, pois sua vida depende de meu retorno seguro." Despiu-se de suas roupas externas e rapidamente vestiu seu traje ninja. Sobre ele vestiu o quimono de Hideo. Lançando mais um sorriso sobre o indefeso samurai, Takashi se dirigiu à ponte.
Takashi carregava as duas espadas de Hideo e ao se aproximar da ponte adotou um caminhar trôpego de bebado. Os sentinelas pensaram estar vendo um de seus colegas desleixados que tinha bebido um pouco a mais.
O sentinela morreu silenciosamente quando Takashi aplicou seus dedos da mão direita a um certo ponto em sua garganta e não foi fácil carregar o corpo do sentinela para a casa enquanto fazia parecer que o sentinela estava ajudando um companheiro bêbado. Uma vez lá dentro, Takashi tirou o quimono de Hideo e vestiu o uniforme do sentinela sobre seu "traje das sombras". Escondendo o corpo, Takashi retornou à ponte e assumiu a posição do sentinela.
Ele sabia de sua prospecção anterior que os guardas não eram substituidos durante essa hora, assim apenas esperou até que a garota se apresentasse e a conduziu para dentro. Takashi era um ninja habilidoso, cuidadosamente caminhou ao lado da garota, seguindo-a enquanto ela percorria o carminho a que estava familiarizada. Esperou pacientemente enquanto ela se preparava se banhando e mudando seu visual. Finalmente ela estava pronta.
Takashi a seguiu até o quarto do senhor. O guarda à porta reconheceu a moça e abriu o shoji para que ela passasse. O daimyo era um homem gordo, dado a seus excessos. Ele sorriu prazerosamente quando a moça se aproximou dele. Eles caminharam para o outro quarto, fecharam a porta, e tudo ficou em silêncio.
Takashi gastou uns poucos minutos explorando o quarto silenciosamente. Encontrou a jóia mencionada por Hideo. Tirou a roupa do sentinela e a colocou em um canto. Mais uma vez trajando seu uniforme de ninja, ele deslizou a porta do corredor até a metade e fez um sinal para o sentinela se aproximar.
Desacostumado a esse tipo de evento o guarda entrou e foi imediata e silenciosamente morto. Takashi vestiu a roupa desse guarda e colocou seu corpo próximo à janela da frente do quarto.
A essa hora, o dainmyo e sua amante estavam profundamente mergulhados nos laços da paixão. Takashi entrou rapidamente e o matou com um único golpe da longa espada de Hideo. A garota gritou antes que a espada fosse erguida outra vez através do ar da noite e a silenciasse para sempre.
"Assassinato!", gritou Takashi a plenos pulmões. "O senhor foi morto! Soem o alarme! Assassinato!"
A casa foi imediatamente cercada pelos outros guardas que atenderam o chamado. Ouviam-se passadas através dos corredores e samurais fortemente armados corriam para suas posições de combate.
"Assassinos!", gritava Takashi. "Por aqui! Ninja! Ninja no quarto do senhor!" Quando percebeu que os outros membros da guarda estavam se aproximando, Takashi gritou outra vez: "Parem! Ele está fugindo pela janela!" Em seguida, ele lançou o corpo do sentinela morto pela janela do quarto. Quando os outros guardas entraram e olharam pela janela e cercaram o corpo.
Vejam! É uma armadilha!" gritou Takashi enquanto se esgueirava para fora e fugia da cena do crime.
Rapidamente, ele estava ao lado de Hideo.
"Bem, meu amigo, foi exatamente como você disse. Eu tenho as jóias. Realmente, sua vida vale mais do que sua carteira!" Ele se ajoelhou ao lado do sentinela paralisado, ergueu-o, envolveu-o com os braços ao redor do pescoço, e manipulou a vértebra de maneira a relaxar a pressão que tinha previanmente provocado. Imediatamente Hideo pôde sentir a vida retornando a seu corpo. Ele ainda não podia se mover, mas sentia que logo seria capaz de fazê-lo.
"Logo vai amanhecer. Perdoe-me se não permaneço até que recupere suas forças. Deixarei suas vestes e armas aqui, tanto quanto esta armadura que tive que pedir emprestada. Naturalmente ficarei com sua carteira!" Sorriu largamente para o atônito samurai.
"Adeus, Mestre Guarda-Costas", disse Takashi enquanto sumia dentro da noite.
Hideo gradualmente recuperou suas forças e em mais ou menos uma hora retornou à sua tropa. Hideo foi encontrado de posse da armadura do sentinela, com o sangue de seu senhor em sua espada. Foi sumariamente executado.
Takashi recolheu seu pagamento e voltou à serenidade do seu lar na província de Koga.